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E assim é a nossa vida…

Diz o salmista: “Com efeito, grandes coisas fez o Senhor por nós; por isso, estamos alegres” (Salmo 126.3). Confiar nas bênçãos de Deus, passa pelo olhar para o que passou e nos alegrarmos pelo que Deus em todos os tempos tem feito em nossas vidas, apesar de nossas limitações e fraquezas.

Na vida causamos transtornos a muitas pessoas e, consequentemente, transgredimos a vontade de Deus, porque somos pecadores, imperfeitos. Nas esquinas da vida, pronunciamos palavras inadequadas, falamos sem necessidade, incomodamos. Nas relações mais próximas, agredimos sem intenção ou intencionalmente, mas agredimos. Não respeitamos o tempo do outro, a história do outro. Parece que o mundo gira em torno dos nossos desejos e o outro é apenas um detalhe. E, assim, vamos causando transtornos.

Esses transtornos tantos mostram que não estamos prontos, mas em construção. Tijolo a tijolo, o templo da nossa história vai ganhando forma. Em alguns momentos, não somos capazes de compreender o tamanho da dor. Em outros, a edificação parece mais leve, o amor alivia o árduo trabalho. E assim é a nossa vida.

O outro, o meu próximo, também está em construção e também nos causa transtornos. E, às vezes, um tijolo cai e me machuca. Outras vezes, é tinta ou o cimento que suja o meu rosto. E quando não é um, é outro. E o tempo todo preciso ser limpo, ter minhas feridas curadas, preciso me dispor, assim como os outros que convivem comigo também têm de fazer. Os erros dos outros, os meus erros. Esta é uma conclusão essencial: todas as pessoas erram. A partir dessa conclusão, precisamos chegar a um denominador comum: o perdão.

Perdoar é cuidar das feridas e sujeiras. É compreender que os transtornos são muitas vezes involuntários. Que os erros dos outros são semelhantes aos meus erros e que como peregrinos de uma jornada é preciso olhar adiante. Se nos preocuparmos com o que passou, com a poeira, com o tijolo caído, o horizonte deixará de ser contemplado. E será um desperdício.

O convite que eu faço é que você experimente a beleza do perdão. É um banho na alma. Deixa leve. Uma boa confissão ajuda a reconhecer as nossas falhas e, mais do que isso, nos impulsiona a buscar a santidade, na promessa daquele que nos fez grandes coisas. “Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei” (Mateus 11.28).

É preciso reconhecer: Se eu errei, se eu magoei, se eu julguei mal, devo buscar desculpar por todos estes transtornos, pois estou, estamos em construção. “As Escrituras Sagradas dizem: ‘Eu escolhi uma pedra de muito valor, que agora ponho em Sião como a pedra principal do alicerce. Quem crer nela não ficará desiludido.” (1 Pedro 2.6)